É um livro bonito por dentro e por fora. O texto da parte de trás me chamou atenção, por isso vou transcrevê-lo:
Eis aí, um dos mais belos romances de Ozírio Tavares, transcrito por Benta Maria Croffi, que após algumas provações durante a década de 50, despertou em sim a mediunidade, recebendo dos amigos do alto, mensagens de coragem e estímulo.
Pedimos ao prezado leitos, que leiam com bastante atenção, pois, não se trata de mais uma psicografia, e sim, um excelente material para uma reflexão romântica "Na Vida e na Morte".
Essas palavras se confirmaram ao decorrer da minha leitura.
O livro começa com textos que falam sobre a médium que o psicografou. Considero muito importante essa parte e por isso vou transcrevê-la a seguir:
PERFIL DA MÉDIUM
Dona Benta é pessoa muito simples e humilde. Nasceu em Araras, interior paulista, a 21-3-1905. De família pobre e unida, recebeu rígida formação católica. Passou boa parte da infância em Leme, mudando-se para Rio Claro, onde casou-se com Antônio. Residira também em Marília, e essas três cidades paulistas marcaram muito sua atribulada vida.
Vive de pequena pensão deixada pelo marido e de trabalhos que executou por toda a existência, tais como: pagem de criança, operária e indústria,doméstica e costureira até hoje. No pequeno apartamento de Dona Benta destacam-se as máquinas de costura e a de datilografia, suas duas ferramentas de trabalho.
A mediunidade começou a despertar logo após a viuvez, e, devido sua formação religiosa, tinha verdadeiro horror ao Espiritismo.
Nessa ocasião sua dua mãe estava entre a vida e a morte, sua filhinha, muito doente e dona Benta, muito perturbada. Sua máquina de costura quebrava com muita facilidade. Certo dia, dona Benta estava desacordada, debruçada sobre a máquina de costura e com a porta da casa aberta, quando entra uma vizinha que não a visitava há cerca de um ano. Dona Maria, após pôr uma das mãos sobre a cabeça de dona Benta, lhe diz: - Venho trazer um recado de Pai Bendito (escravo martirizado na região). Após uma prosa deliberaram fazer uma reunião espírita em casa de dona Benta. Ela, mais eu pai, dona Maria e seu esposo, Anésio, realizaram a reunião espírita. Foi o início. Após alguns anos dona Benta conseguiu educar sua mediunidade.
Psicografa desde 1951. Tem produção mediúnica de vários espíritos em diversos gêneros literários. Poesias, contos, historietas, mensagens, fábulas e romances.
Sua formação intelectual, pode-se dizer, veio de existência anterior. Nesta vida, apenas concluiu o terceiro ano do antigo curso primário. Mesmo assim, de forma nada exemplar, pois faltava às aulas para ir pescar lambaris. Comportamento natural da idade e levando-se em conta o meio e a situação em que a menina foi criada.
Por várias vezes dona Benta pensou em deixar o trabalho mediúnico. Sem apoio da família e não tendo condições de publicar o que escrevia, encontrando dificuldades com editores de livros espíritas, chegava a desanimar. Nestas ocasiões vinham os amigos do alto com mensagens reconfortáveis. A primeira mensagem não foi assinada pelo espírito autor, mas uma médium presente quando dona Benta o recebeu disse ter visto Casimiro Cunha presente. Recebia em São Paulo, aos 15-07-1952.
NÃO DESANIMEMOS
A foice em punha; há selva a desbravar.
Vens agora de deixar um matagal
O qual, difícil, não te foi atravessar.
Terás agora à tua frente um areial.
Nota bem: quando o atravessares
Guarda dentro do peito tuas sementes,
Porque ali não haverá verdes palmeiras
Em meio aos quais poderias contente
Mirar-te no espelho cristalino
De um pouco dágua de mútua compreensão.
Mas muitas vezes o auxilia divino
Implorará teu cansado coração.
E depois desse areial fervente,
A mara sombria que apavora
Mas não a alma denodada e crente
Que já não viu diante de si a grande aurora!
Essa mara, aravessa-la-ás sozinha.
Não poderão te acompanhar os corações
Da plêiade que contigo caminha.
Para ele haverá os paredões
Que são diques à certeira tarefa,
Mas sorridentes te verão partir.
Os paredões para eles são sanefas,
As leis de Deus não pensam transgredir.
Sob as vibrações de felicidade,
A resistente foice sobre o ombro,
Partirás levando o pão da verdade
Que te dará forças; resistirás o assombro
Que te causará a presença dos duendes,
Pela escuridão da densa ramaria,
Que por tantos hectares de estende,
Roubando aos que a visitam alegria.
Vamos irmã; e depois disso tudo
Verás que o lápis que feliz empunhaste
Não foi mais que a foice em veludo
Te parecerá que deslizaste.
E conosco dirás: Oh! Pais do amor!
Bendita é a tarefa que me destes!
Tarde aprende o pobre filho pecador
A bendizer o sobre que lhe impuseres!
Seja bendito por toda a eternidade!
Que o vasto rolo de sublimes lições
Distribuiremos aos sedentos da verdade
E envolveremos em luz os corações!
Após uma mensagem bonita e sensibilizante dona Benta se reerguia e continuava o trabalho. Passavam-se alguns anos e novo desânimo. Então nova injeção de ânimo. No bairro de Santa Inês, SP, aos 14-7-1962, o Espírito que assinou Pasqualim deu a mesagem que segue pela própria mediunidade dela.
"Minha irmã:
Guarda tuas energias visuais para o período de intenso trabalho que se aproxima; ele te serpa de amarguras, mas te sobrará também um quociente de uma e duradoura alegria.
Quase sempre árdua, fundamente dolorosa é tarefa de servir, ma o Mestre necessita de soldados que primem pela vanguarda, resolutos, em fraquejar na incumbência seja ela qual for. O lídimo lutador pede o roteiro e dele não se desvia, mesmo porque tal decisão é possível de criar crise a periculosidade das neblinas cerebrais, o que não sucede ao que se mantém firme no campo da luta pela alheia e própria emancipação.
Sentimos-te a sinceridade no pedido de auxílio a fim de manteres no coração, ininterrupto, o cultivo das virtudes, pedido que pressurosamente atendemos em nome do nosso Mestre. Não descuramos de tais pedidos, mesmo emanem se a dar-nos desejada firmeza. Um trabalho de auto-reforma não se processa aceleradamente e há que lembrar aqui o meio pouco ou nada favorável, no qual labuta o interessado. Nossas palavras não são de molde a acoroçoar tampouco a lentidão de melhora e sim aliviar a tristeza de novas quedas que possam sobrevir a todo aquele que resolutamente marca seus primeiros passos na estrada ascensional. À luz da Paciência Infinita processamos os reerguimentos para as novas fases do esforço.
Aproximas-te da orla da selva, dentro da qual foi-te profetizado, chamarias sem que te ouvissem.
Cuidado, muito cuidado, teus olhos habitua à escuridão da densa ramaria poderão quedar ofuscados pela claridade do campo aberto.
Ora e vigia; como há muito, aqui estamos para amparar-te contra a ofuscação que te arruinaria o trabalho realizado. Descansa, pois, estendendo fraternalmente as mãos aos que surgirem em teu caminho reclamando, com a sua material ajuda, uma gota do teu cântaro dágua viva.
Sê humilde, minha irmã, pois sem a inteira prática dessa virtude não poderias sentir em toda a plenitude a alegria que te espera; a alegria do obreiro cônscio de haver cumprido à risca a tarefa recebida. Seca tuas lágrimas, chorar por que, se foste escolhida?
Larga para trás as vacilações no manejo das ferramentas. Os campos a amanhar são vastos e um dos hectares mais difíceis aproxima-se; que se banhe com o nosso sangue e suor para maior glória de Deus e brilho da fraternidade!
Algum tempo depois dona Benta resolveu ir até Uberaba. Quem sabe se por intermédio de Chico Xavier poderia vir alguma orientação diferente. Foi Bezerra de Menezes que deu o recado seguinte:
Filha, Jesus nos abençoe.
Nós, os amigos desencarnados, não podemos cooperar no curso dos trabalhos a que se refere, quanto ao seu andamento no plano físico.
Somos, assim, de parecer deva submetê-los aos critérios das instituições espíritas-cristãs encarregadas de publicações doutrinárias, para que o juízo humano se manifeste, na solução do assunto.
Jesus nos abençoe.
As palavras desse admirável e iluminado Espírito foram carinhosas e muito claras, mas nem por isso tão animadoras para quem esperava tanto tempo a publicação de qualquer coisa de sua produção mediúnica. Então, pouco depois o Espírito Nathanael de Freitas deu uma bela e reconfortante página, Recebida pela médium em São Paulo, aos 3-5-1962.
Sorria à esperança que refulge
No fundo dadinho de tuas provas.
Ora e espera, e enquanto esperas
Nutra-te a beleza de truas provas.
Não desanimes se íngreme é o caminho
Que nos leva à fonte do amargor.
Em prece, caminha altiva e humilde.
A ninguém falha, de Deus, o grande amor.
O verdadeiro, rijo paladino,
Não se verga aos apupos dos humanos.
Vergar por que, se seu afã é secar prantos
E esperança derramar nos desenganos?
A confiança em ti depositada
Mostra que a sentes e saber compreender.
Planta sorrisos de tua estrada ao longo
Aos que em teu ânimo vêm socorrer.
Levanta a fronte como boa lutadora,
Vai entregando o que o Mestre te confiou,
E diante dos escolhos do caminho,
Lembra Seu sangue que por nós se derramou.
Tens riqueza para dar e sentes toda;
Vence-te a ânsia no afã de entregá-la...
Não pranteies sobre ela, não a enfeies,
Pois virão um dia procurá-la.
Muita razão assiste ao nosso amigo,
Que te diz não poder intervir
No andamento de tua tarefa,
Cujo pedo ainda pedes pra lenir.
Caminha, irmã, sem nossa interferência.
Vencerás em a um cada obstáculo,
Desde que a prece te acompanhe em vigilâncias,
Tendo em teu íntimo branco tabernáculo.
Fraquejaste no passado, mas agora,
Malgrado tua frande debilidade,
Levarás a cabo tua incumbência
Entregando o que trouxeste à humanidade.
Não pranteies, mesmo à tua pouca fé,
Pois a aurora resplandece em teu caminho.
Sobre as lajes de gelo que topares,
Coloca as ramas de teu verde rosmaninho.
O amor do Mestre está conosco
E Sua bondade brilha nos carreiro.
Pacientemente espera nos tornemos
Na seara santa íntegros obreiros.
Assim, a Sua longa espera
Agradeçamos com atos de lisura...
Dos sacrifícios, a esponja dolorosa
A nossa túnica dê maior brancura!
Passaram-se mais quatro anos e dona Benta continua a psicografar e a labutar em sua máquina de costura. A situação material há muito já não a importuna, porque já se acostumou com pouco com Deus. Mas o fato de deixar sua produção mediúnica guardada na poeira do tempo é o que mais a chateia. Então em 16-10-1966 o Espírito Roberto Isauro transmite-lhe de novo refrigério nalma.
MEDITA E ESPERA
Nosso mar de tuas incertezas
Continuamente viver a adernar
Esquecendo o rol todo de belezas
Que o Pai houve por bem te agraciar.
Faz teu peito um santuário
guardando-as até as ocasiões certas,
Quando um bondoso emissário
A elas trará atenções despertas.
Não te aflijas, do tempo, à passagem
Teu humilde labor será fecundo
Atuando qual longa e branda aragem
Entra as chamas de crimes deste mundo.
Já te foi recomendado: ora e espera,
Pois a imensa imperfeição campeia ainda.
Quase que cada peito é uma cratera
A lanças rios de lavar que não finda.
Se a tua mediunidade é de prova,
Genuflexa-se em gratidão profunda
Por seres mensageira da boa-nova
Entre o mal que por aqui abunda.
Com o teu perispírito, cuidado!
Não lhe vás acrescentar nódoas a mais,
E para melhor fugires do pecado
Orienta, enxuga o pranto e cala ais.
Tarefa árdua é a mediunidade,
Mormente para o que ainda muito deve.
Mas quem atende ao clamor da humanidade
Vai tornando seu fardo bem mais leve.
Quem tarefa mediúnica recebe
E deseja cumpri-la cabalmente,
É em fonte puríssima que bebe
Pra ali levando a humanidade descontente.
O médium são é gentil pombo-correio,
Sobrevoando o mar de provações,
Do ouro da palavra é um veio,
E prata de assistência em convulsões.
Às tentações que campeiram neste mundo
Tem um sorriso de farta compreensão,
Atendendo ao teu labor que é oriundo
Duma esplanada de eterna floração.
Ora e trabalha; distribui o alimento
Que a mancheias sempre vos é entregue.
Chama-se ele consolo e lenimento,
E a ninguém, com ou sem fé, se negue.
Que o nosso bom Jesus nos abençoe
O desejo sincero de servir
E que a nossa voz nunca destoe
Do mediúnico canto pra lenir!
Outras mensagens de cunho pessoal ela recebeu, porém cremos que essas citadas são bem o seu retrato mediúnico.
A análise e a crítica ficam por conta dos leitores. Só temos a acrescentar que só agora a produção mediúnica começa a ser editada. Após trinta anos de espera, para as mais antigas. E se o bom Deus permitir, esse frágil e precioso vaso mediúnico verá seu trabalho se vulgarizar, aos 75 anos de idade.
Ruy Cintra Paiva
São Paulo, fevereiro de 1981.Sou totalmente grata ao espírito de dona Benta por ter passado por essas provações para publicar seus trabalhos mediúnicos. Na vida e na morte é um dos melhores livros que já li.
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