sexta-feira, 8 de maio de 2015

30 Suzannas

Se eu pudesse, seria umas 30 pessoas...
Faria aula de street dance, dança contemporânea, dança do ventre e dança de salão, natação e capoeira.
Aprenderia a fazer colares de pedra, tocar pandeiro, tantan, cuíca, tamborim, surdo, berimbau, agogô, reco-reco, triângulo e dançar frevo.
Faria curso de costura, crochê, inglês, jardinagem, confeitaria e fotografia.
Escreveria um livro de heroínas feministas e um catálogo de todas as bandas da cena underground de Goiânia dos últimos 20 anos.
Faria uns 5 documentários sobre temas atuais.
Organizaria várias feiras de trocas e eventos culturais gratuitos e alguns pagos, na ufg e no resto da cidade.
Criaria um grupo de reforma íntima (espiritismo), um grupo de apoio a mulheres que sofrem com padrões corporais e um grupo de pandeiro.
Buscaria conhecimentos profundos em astrologia, cristais, chakras, meditação, budismo, espiritismo e etc.
E a lista só aumenta...

(Sim, sou de aries)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Calma

"Na Idade Média, quando um homem tinha tido o seu contato com Deus, o primeiro passo consistia em se libertar de vez de todas as coisas do mundo: abandonava o mundo de Deus a fim de viver em Deus fora do mundo."*

Quem me conhece desde pelo menos o ano passado sabe que eu era ativista. Participei de movimentos sociais e fui contra várias coisas. Eu ia às manifestações ouvindo musicas de punk rock nacional, sentindo o sangue quente e sede de luta pela justiça. Eu me dedicava, matava aula, fazia cartazes, levava água e comida na mochila, usava roupas pretas, tirava fotos e escrevia sobre elas, me preocupava com a organização tática e etc. Eu acreditava naquela forma de conseguir as coisas.
Por causa do aumento da violência nas manifestações, certa vez pedi pra um amigo escrever "paz" na minha testa. Não era só por medo, mas por não concordar com o método radical.  Percebi, então, que não havia espaço para pessoas que não concordam com o uso da violência contra a violência. Nunca acreditei que fogo se combate com fogo, mas que fogo se combate com água. Então eu quis ser água.
Mas e o sofrimentos? Aprendi, com meus sofrimentos pessoais, que posso diminuí-los de acordo com minha força de vontade e fé em Deus. Aprendi, portanto, a ser passiva.
Há pessoas no mundo que não querem mudar pelo bem do próximo, não importa quanto mal façam. Então percebi que, melhor que odiar essas pessoas ruins, é compreendê-las. Não considerando certo o que fazem, mas entendendo que ainda não entendem de verdade quanto mal fazem, não sentem empatia.
O "se libertar de vez de todas as coisas do mundo" consiste em aprender a verdade e é parte do caminho:


"A verdade - escreve Gandhi - é dura como diamante mas é também delicada como flor de pessegueiro."*

"Jesus Dizia aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes em Minha palavra, verdadeiramente sereis Meus discípulos;
e conhecerei a verdade e a verdade vos libertará.
Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca fomos servos de ninguém; como dizes Tu: Sereis livres? 
Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que: todo aquele comete pecado é servo do pecado." (João 8:31-35)

"Sabeis aonde vou e sabeis o caminho.
Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos aonde vais; como, pois, podemos saber o caminho?
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, se não for por mim.
Se vós me conhecêsseis, também conheceríeis a Meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto. 

(...)
Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.
Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco e não me tendes conhecido? Quem vê a mim vê o Pai; como, pois, dizes tu: Mostra-nos o Pai?
(...)
Crede-me que eu estou no Pai, e o Pai em mim, crede-me pelo menos pelas mesmas obras.
Em verdade, em verdade vos digo: O que crê em mim também fará as mesmas obras que Eu faço; e fará maiores que essas, porque eu vou para o Pai." (João 14:4-12)

Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.

João 14:5-7
Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.

João 14: 
Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.

João 14:
*Livro Mahatma Gandhi de Huberto Rohden.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Lições que aprendi hoje: cozinhar e escrever com amor

Olá!
Hoje foi dia de eu ir ao Centro Espírita Amor e Caridade (CEAC) ajudar a fazer a sopa que alguns voluntários distribuem à noite. O trabalho de produção da sopa começa às 13h e termina geralmente às 18h. Faz parte da Patrulha da Caridade do CEAC. À noite, os patrulheiros distribuem, além da sopa, também roupas, suco, leite, Pomada Vovô Pedro, tempo para ouvir as pessoas e palavras confortantes.
Fazer a sopa foi muito bom hoje. Nós estamos sempre aprendendo a fazer do melhor jeito possível e hoje aprendemos um pouco mais. Em um trecho do livro Gabriel, esperança além da vida, Gabriel descreve a produção de comida da colônia em que se encontra. Lembro-me de ele dizer que os cozinheiros eram muito concentrados no que estavam fazendo. Não conversavam entre si, não olhavam as pessoas que passavam perto e etc. O autor diz que eles são assim porque todos os pensamentos que os cozinheiros têm enquanto trabalham vão para a comida, então a fazem com muito cuidado. Infelizmente não consigo lembrar de toda a descrição dele, portanto não sei explicar de que forma esses pensamentos refletem na comida, mas posso afirmar com certeza de que é uma questão de energias.
Enfim, hoje, na hora de provarmos a sopa, chegamos à conclusão de que estava especialmente boa. Pensamos no que fizemos de diferente hoje e percebemos que não falamos coisas negativas. Nós não reclamamos de nada. Muito pelo contrário, estávamos muito contentes com as histórias que uma patrulheira (que foi pela primeira vez hoje fazer a sopa) estava contando sobre como foi ter adotado uma menina negra sem ter marido e sendo branca. Ela é muito sorridente e sorria mais ainda quando falava da filha que tanto ama. Falava sobre a superação de problemas passados e de como é feliz pelo tamanho da afinidade que tem com a menina. Segundo ela, é uma criança muito feliz, ativa, alegre e até comportada. Nos mostrou lindas fotos da menina sorrindo. Aí, ficamos muito contentes com a felicidade dela.

Depois de termos terminado de fazer a sopa, esperei a mulher que cuida da biblioteca chegar para que eu pudesse pegar um livro. Quando ela chegou, me convidou para participar da leitura de mensagem e oração inicial de seu trabalho (o de cuidar da biblioteca). Ela abriu aleatoriamente uma pagina do livro Pão Nosso* e, para minha sorte, a mensagem me lembrou de algo importante em relação à este blog: que o ato de escrever textos ou livros com mensagens e raciocínios negativos é prejudicial às pessoas. Eu já sabia disso, mas estava ignorando. Então, reconheci que as consequências de continuar com isso são ruins e resolvi tentar não escrever mais textos assim aqui no blog e excluir os antigos (foram 4).

Bom, essas foram as principais lições que aprendi hoje. Espero que vocês tenham entendido e espero que aprendamos mais amanhã!
Até mais!

*Autoria espiritual de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Natureza

Sabe aquele vazio existencial? Aquela solidão que faz a gente se apegar às pessoas? Aquela falta de não-sei-o-quê que a gente procura em todo lugar? Então, eu, por não encontrar, resolvi transformar esse sentimento em profunda admiração pelas belezas naturais. (Eu infelizmente não sei explicar como isso é possível hehe. Posso dizer que não é o bastante para suprir todas essas vontades, mas resolve em alguns momentos difíceis). Elas dão paz, são gratuitas, estão em todos os lugares sempre disponíveis, são saudáveis etc.
Por que não amar a natureza?

Agora, algumas das minhas fotos que mostram um pouco dessa beleza intensa da natureza:










Essas são algumas fotos minhas só pra ilustrar o que eu disse lá em cima. O resto delas vocês encontram no meu Tumblr e no meu Instagram.

Você aí sente algo parecido com o que eu descrevi? (Espero que sim!)

Abraço! <3

domingo, 24 de agosto de 2014

Momentos tristes

(Madrugada de hoje)
Tem gente que eu acho que não chora e não se sente profundamente triste. Ou quando chora, é uma vez a cada três anos. Não por ser muito feliz, mas por insensibilidade. Se isso é bom ou ruim eu não sei. Eu sei que não sou assim, muito pelo contrário.
Comecei falando desse tipo de gente para que você leitor ou leitora saiba que, se você não for como eu, talvez não entenda as coisas que direi agora. 

Eu choro com facilidade desde criança, por diversos motivos e com diferentes intensidades. Mas não é porque eu choro fácil que é fácil aguentar. Eu não choro sem me sentir mesmo mal.
Depois de um tempo passando por momentos de tristeza quando criança, tive que criar jeitos de me distrair. Aprendi a ler histórias de mistério (nelas, poucos personagens sofrem), escrever contos em que eu era a heroína, apreciar a beleza da natureza como se ela fosse acabar amanhã, rir com intensidade, querer ajudar os outros como eu queria que me ajudassem, etc.
Anos depois, aprendi a esvaziar a mente quando não consigo parar de chorar. Mas isso é bem difícil e ainda não peguei o jeito.
Agora, aprendi a lembrar de pessoas em situações piores que a minha.
Hoje, por exemplo, eu estava triste, mas aí lembrei de um homem que vi na Avenida Goiás. Era um homem aparentemente pobre, sentado no chão, com vários pertences e materiais de trabalho espalhados. Estava fazendo uma maquete de uma fazenda simples de isopor, pedaços de madeira e animaizinhos de plástico. Enquanto outros ambulantes vendiam óculos de sol, panos de prato, relógios, etc, esse homem parecia tentar fazer o melhor com aqueles materiais tão simples.
Então, poxa, se uma pessoa nessa situação estava lá no chão super concentrada no trabalho, não estava chorando e não tinha desistido de tentar fazer o melhor, por que é que eu vou desmoronar se meus motivos nem chegam perto daquilo que eu vi?
Aí, transformo a tristeza no "querer bem" mais forte que eu consigo. Assim fica mais fácil aguentar.

É só isso que tenho pra dizer hoje.
Um abraço de coração pra você leitora ou leitor <3

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Chelsea Haircut

Olá!
Hoje decidi falar sobre um corte que fiz no meu cabelo em maio do ano passado. Eu gostava muito do estilo punk mas o cabelo das mulheres não me atraiam. Então conheci o estilo Skinhead Girl e me apaixonei pelo Chelsea Haircut:


Agora, algumas fotos de como meu cabelo ficou desde que decidi fazer esse corte nele ele:

Planejando:

 Nessa foto, eu, com ajuda da minha irmã, planejando a parte que ia mandar a cabeleireira passar a máquina. Foi essa parte maior que eu disse pra ela tirar, mas era uma cabeleireira ruim então deixou várias falhas. Eu achava que, sem essa parte grande, meu cabelo não seria volumoso e os problemas que eu tinha com ele acabariam.

Grande (abaixo do queixo):

 
 
Curto (acima do queixo):

 Nessa foto, eu estava de chapéu porque a cabeleireira cortou muuuuito curto, eu fiquei muito triste, achando fim do mundo e achei que teria que usar chapéu o tempo todo pra disfarçar a feiura)




Essa última foto mostra o meu corte preferido.

Eu praticamente estava normal porque, olhando de frente, não dava pra perceber que a parte de trás era curta. Eu me via no espelho e estava tudo ok.

Gastos

Eu quis ter cabelo curto pra ter menos problemas mas a únicas coisas que diminuíram foram: quantidade de xampu gasto, calor e tempo de secar. Pra manter, tem que ficar cortando a cada 40 dias no máximo e com cabeleireiros confiáveis, então é caro. Eu era meio doida no começo, cortava com qualquer um mas depois de péssimas experiências, agora corto sempre no mesmo salão com o mesmo cabeleireiro.

Arrependimentos

Só me arrependo de não ter colocado um piercing no septo pra aproveitar a onda cabelo hehe. Brincadeira, também me arrependo de ter cortado com gente ruim.

Hora de deixar crescer

Eu achei que ia querer deixar crescer só quando fosse adulta, mas quis no final do ano passado. Está sendo muito difícil deixar crescer porque meu cabelo é volumoso. Curto assim é muito difícil de controlar. Tenho que lavar todos os dias porque ele suja muito rápido e isso faz com que a escova progressiva dure pouco tempo. Chapinha dura pouco tempo, pois ele fica oleoso em poucas horas.

Cortar ou não?

É boa a sensação de ter o cabelo curto. Eu acredito que temos que aproveitar a adolescência pra fazer essas coisas mesmo porque, quando formos adultos, coisas como emprego e vergonha dos outros adultos poderão impedir. Recomendo muuuuito esse corte que eu fiz. Mas recomendo também que, quem quiser fazer algo assim, pense por meses e só faça depois de ter certeza, dinheiro pra emergências e cabeleireiro bom.

sábado, 16 de março de 2013

Na vida e na morte - Vida de Benta Maria Croffi

Foi no 30º Congresso Espírita do Estado de Goiás que conheci o livro Na vida e na morte psicografado por Benta Maria Croffi. O congresso, que aconteceu no Centro de Cultura e Convenções de Goiânia no carnaval desse ano e  teve várias atividades. Assisti à alguns shows e passei pela feira de livros. Como gosto de coisas baratas, me interessei logo pelos vários livros que custavam três reais. Comprei um que não era romance (Ponto de encontro) e um romance (Na vida e na morte).
É um livro bonito por dentro e por fora. O texto da parte de trás me chamou atenção, por isso vou transcrevê-lo:

Eis aí, um dos mais belos romances de Ozírio Tavares, transcrito por Benta Maria Croffi, que após algumas provações durante a década de 50, despertou em sim a mediunidade, recebendo dos amigos do alto, mensagens de coragem e estímulo.
Pedimos ao prezado leitos, que leiam com bastante atenção, pois, não se trata de mais uma psicografia, e sim, um excelente material para uma reflexão romântica "Na Vida e na Morte".

Essas palavras se confirmaram ao decorrer da minha leitura.
O livro começa com textos que falam sobre a médium que o psicografou. Considero muito importante essa parte e por isso vou transcrevê-la a seguir:

PERFIL DA MÉDIUM

Dona Benta é pessoa muito simples e humilde. Nasceu em Araras, interior paulista, a 21-3-1905. De família pobre e unida, recebeu rígida formação católica. Passou boa parte da infância em Leme, mudando-se para Rio Claro, onde casou-se com Antônio. Residira também em Marília, e essas três cidades paulistas marcaram muito sua atribulada vida.
Vive de pequena pensão deixada pelo marido e de trabalhos que executou por toda a existência, tais como: pagem de criança, operária e indústria,doméstica e costureira até hoje. No pequeno apartamento de Dona Benta destacam-se as máquinas de costura e a de datilografia, suas duas ferramentas de trabalho.
A mediunidade começou a despertar logo após a viuvez, e, devido sua formação religiosa, tinha verdadeiro horror ao Espiritismo.
Nessa ocasião sua dua mãe estava entre a vida e a morte, sua filhinha, muito doente e dona Benta, muito perturbada. Sua máquina de costura quebrava com muita facilidade. Certo dia, dona Benta estava desacordada, debruçada sobre a máquina de costura e com a porta da casa aberta, quando entra uma vizinha que não a visitava há cerca de um ano. Dona Maria, após pôr uma das mãos sobre a cabeça de dona Benta, lhe diz: - Venho trazer um recado de Pai Bendito (escravo martirizado na região). Após uma prosa deliberaram fazer uma reunião espírita em casa de dona Benta. Ela, mais eu pai, dona Maria e seu esposo, Anésio, realizaram a reunião espírita. Foi o início. Após alguns anos dona Benta conseguiu educar sua mediunidade.
Psicografa desde 1951. Tem produção mediúnica de vários espíritos em diversos gêneros literários. Poesias, contos, historietas, mensagens, fábulas e romances.
Sua formação intelectual, pode-se dizer, veio de existência anterior. Nesta vida, apenas concluiu o terceiro ano do antigo curso primário. Mesmo assim, de forma nada exemplar, pois faltava às aulas para ir pescar lambaris. Comportamento natural da idade e levando-se em conta o meio e a situação em que a menina foi criada.
Por várias vezes dona Benta pensou em deixar o trabalho mediúnico. Sem apoio da família e não tendo condições de publicar o que escrevia, encontrando dificuldades com editores de livros espíritas, chegava a desanimar. Nestas ocasiões vinham os amigos do alto com mensagens reconfortáveis. A primeira mensagem não foi assinada pelo espírito autor, mas uma médium presente quando dona Benta o recebeu disse ter visto Casimiro Cunha presente. Recebia em São Paulo, aos 15-07-1952.


NÃO DESANIMEMOS

A foice em punha; há selva a desbravar.
Vens agora de deixar um matagal
O qual, difícil, não te foi atravessar.
Terás agora à tua frente um areial.

Nota bem: quando o atravessares
Guarda dentro do peito tuas sementes,
Porque ali não haverá verdes palmeiras
Em meio aos quais poderias contente

Mirar-te no espelho cristalino
De um pouco dágua de mútua compreensão.
Mas muitas vezes o auxilia divino
Implorará teu cansado coração.

E depois desse areial fervente,
A mara sombria que apavora
Mas não a alma denodada e crente
Que já não viu diante de si a grande aurora!

Essa mara, aravessa-la-ás sozinha.
Não poderão te acompanhar os corações 
Da plêiade que contigo caminha.
Para ele haverá os paredões

Que são diques à certeira tarefa,
Mas sorridentes te verão partir. 
Os paredões para eles são sanefas,
As leis de Deus não pensam transgredir.

Sob as vibrações de felicidade,
A resistente foice sobre o ombro,
Partirás levando o pão da verdade
Que te dará forças; resistirás o assombro

Que te causará a presença dos duendes,
Pela escuridão da densa ramaria,
Que por tantos hectares de estende,
Roubando aos que a visitam alegria.

Vamos irmã; e depois disso tudo
Verás que o lápis que feliz empunhaste
Não foi mais que a foice em veludo
Te parecerá que deslizaste.

E conosco dirás: Oh! Pais do amor!
Bendita é a tarefa que me destes!
Tarde aprende o pobre filho pecador
A bendizer o sobre que lhe impuseres!

Seja bendito por toda a eternidade! 
Que o vasto rolo de sublimes lições
Distribuiremos aos sedentos da verdade
E envolveremos em luz os corações!

Após uma mensagem bonita e sensibilizante dona Benta se reerguia e continuava o trabalho. Passavam-se alguns anos e novo desânimo. Então nova injeção de ânimo. No bairro de Santa Inês, SP, aos 14-7-1962, o Espírito que assinou Pasqualim deu a mesagem que segue pela própria mediunidade dela.
"Minha irmã:
Guarda tuas energias visuais para o período de intenso trabalho que se aproxima; ele te serpa de amarguras, mas te sobrará também um quociente de uma e duradoura alegria.
Quase sempre árdua, fundamente dolorosa é tarefa de servir, ma o Mestre necessita de soldados que primem pela vanguarda, resolutos, em fraquejar na incumbência seja ela qual for. O lídimo lutador pede o roteiro e dele não se desvia, mesmo porque tal decisão é possível de criar crise a periculosidade das neblinas cerebrais, o que não sucede ao que se mantém firme no campo da luta pela alheia e própria emancipação.
Sentimos-te a sinceridade no pedido de auxílio a fim de manteres no coração, ininterrupto, o cultivo das virtudes, pedido que pressurosamente atendemos em nome do nosso Mestre. Não descuramos de tais pedidos, mesmo emanem se a dar-nos desejada firmeza. Um trabalho de auto-reforma não se processa aceleradamente e há que lembrar aqui o meio pouco ou nada favorável,  no qual labuta o interessado. Nossas palavras não são de molde a acoroçoar tampouco a lentidão de melhora e sim aliviar a tristeza de novas quedas que possam sobrevir a todo aquele que resolutamente marca seus primeiros passos na estrada ascensional. À luz da Paciência Infinita processamos os reerguimentos para  as novas fases do esforço. 
Aproximas-te da orla da selva, dentro da qual foi-te profetizado, chamarias sem que te ouvissem.
Cuidado, muito cuidado, teus olhos habitua à escuridão da densa ramaria poderão quedar ofuscados pela claridade do campo aberto.
Ora e vigia; como há muito, aqui estamos para amparar-te contra a ofuscação que te arruinaria o trabalho realizado. Descansa, pois, estendendo fraternalmente as mãos aos que surgirem em teu caminho reclamando, com a sua material ajuda, uma gota do teu cântaro dágua viva.
Sê humilde, minha irmã, pois sem a inteira prática dessa virtude não poderias sentir em toda a plenitude a alegria que te espera; a alegria do obreiro cônscio de haver cumprido à risca a tarefa recebida. Seca tuas lágrimas, chorar por que, se foste escolhida?
Larga para trás as vacilações no manejo das ferramentas. Os campos a amanhar são vastos e um dos hectares mais difíceis aproxima-se; que se banhe com o nosso sangue e suor para maior glória de Deus e brilho da fraternidade!
Algum tempo depois dona Benta resolveu ir até Uberaba. Quem sabe se por intermédio de Chico Xavier poderia vir alguma orientação diferente. Foi Bezerra de Menezes que deu o recado seguinte:

Filha, Jesus nos abençoe. 
Nós, os amigos desencarnados, não podemos cooperar no curso dos trabalhos a que se refere, quanto ao seu andamento no plano físico.
Somos, assim, de parecer deva submetê-los aos critérios das instituições espíritas-cristãs encarregadas de publicações doutrinárias, para que o juízo humano se manifeste, na solução do assunto. 
Jesus nos abençoe.

As palavras desse admirável e iluminado Espírito foram carinhosas e muito claras, mas nem por isso tão animadoras para quem esperava tanto tempo a publicação de qualquer coisa de sua produção mediúnica. Então, pouco depois o Espírito Nathanael de Freitas deu uma bela e reconfortante página, Recebida pela médium em São Paulo, aos 3-5-1962.

Sorria à esperança que refulge
No fundo dadinho de tuas provas. 
Ora e espera, e enquanto esperas
Nutra-te a beleza de truas provas.

Não desanimes se íngreme é o caminho
Que nos leva à fonte do amargor.
Em prece, caminha altiva e humilde.
A ninguém falha, de Deus, o grande amor.

O verdadeiro, rijo paladino, 
Não se verga aos apupos dos humanos.
Vergar por que, se seu afã é secar prantos
E esperança derramar nos desenganos?

A confiança em ti depositada 
Mostra que a sentes e saber compreender.
Planta sorrisos de tua estrada ao longo
Aos que em teu ânimo vêm socorrer.

Levanta a fronte como boa lutadora,
Vai entregando o que o Mestre te confiou,
E diante dos escolhos do caminho,
Lembra Seu sangue que por nós se derramou.

Tens riqueza para dar e sentes toda;
Vence-te a ânsia no afã de entregá-la...
Não pranteies sobre ela, não a enfeies,
Pois virão um dia procurá-la.

Muita razão assiste ao nosso amigo,
Que te diz não poder intervir 
No andamento de tua tarefa,
Cujo pedo ainda pedes pra lenir.

Caminha, irmã, sem nossa interferência.
Vencerás em a um cada obstáculo,
Desde que a prece te acompanhe em vigilâncias,
Tendo em teu íntimo branco tabernáculo.

Fraquejaste no passado, mas agora, 
Malgrado tua frande debilidade,
Levarás a cabo tua incumbência 
Entregando o que trouxeste à humanidade.

Não pranteies, mesmo à tua pouca fé,
Pois a aurora resplandece em teu caminho.
Sobre as lajes de gelo que topares,
Coloca as ramas de teu verde rosmaninho.

O amor do Mestre está conosco
E Sua bondade brilha nos carreiro.
Pacientemente espera nos tornemos
Na seara santa íntegros obreiros.

Assim, a Sua longa espera
Agradeçamos com atos de lisura...
Dos sacrifícios, a esponja dolorosa
A nossa túnica dê maior brancura!

Passaram-se mais quatro anos e dona Benta continua a psicografar e a labutar em sua máquina de costura. A situação material há muito já não a importuna, porque já se acostumou com pouco com Deus. Mas o fato de deixar sua produção mediúnica guardada na poeira do tempo é o que mais a chateia. Então em 16-10-1966 o Espírito Roberto Isauro transmite-lhe de novo refrigério nalma.


MEDITA E ESPERA

Nosso mar de tuas incertezas 
Continuamente viver a adernar
Esquecendo o rol todo de belezas
Que o Pai houve por bem te agraciar.

Faz teu peito um santuário
guardando-as até as ocasiões certas,
Quando um bondoso emissário
A elas trará atenções despertas.

Não te aflijas, do tempo, à passagem
Teu humilde labor será fecundo
Atuando qual longa e branda aragem
Entra as chamas de crimes deste mundo.

Já te foi recomendado: ora e espera,
Pois a imensa imperfeição campeia ainda.
Quase que cada peito é uma cratera
A lanças rios de lavar que não finda.

Se a tua mediunidade é de prova,
Genuflexa-se em gratidão profunda
Por seres mensageira da boa-nova
Entre o mal que por aqui abunda.

Com o teu perispírito, cuidado!
Não lhe vás acrescentar nódoas a mais, 
E para melhor fugires do pecado
Orienta, enxuga o pranto e cala ais.

Tarefa árdua é a mediunidade,
Mormente para o que ainda muito deve.
Mas quem atende ao clamor da humanidade
Vai tornando seu fardo bem mais leve.

Quem tarefa mediúnica recebe
E deseja cumpri-la cabalmente,
É em fonte puríssima que bebe
Pra ali levando a humanidade descontente.

O médium são é gentil pombo-correio,
Sobrevoando o mar de provações,
Do ouro da palavra é um veio,
E prata de assistência em convulsões.

Às tentações que campeiram neste mundo 
Tem um sorriso de farta compreensão,
Atendendo ao teu labor que é oriundo
Duma esplanada de eterna floração.

Ora e trabalha; distribui o alimento
Que a mancheias sempre vos é entregue.
Chama-se ele consolo e lenimento,
E a ninguém, com ou sem fé, se negue.

Que o nosso bom Jesus nos abençoe 
O desejo sincero de servir
E que a nossa voz nunca destoe
Do mediúnico canto pra lenir!

Outras mensagens de cunho pessoal ela recebeu, porém cremos que essas citadas são bem o seu retrato mediúnico.
A análise e a crítica ficam por conta dos leitores. Só temos a acrescentar que só agora a produção mediúnica começa a ser editada. Após trinta anos de espera, para as mais antigas. E se o bom Deus permitir, esse frágil e precioso vaso mediúnico verá seu trabalho se vulgarizar, aos 75 anos de idade.


Ruy Cintra Paiva
São Paulo, fevereiro de 1981.

Sou totalmente grata ao espírito de dona Benta por ter passado por essas provações para publicar seus trabalhos mediúnicos. Na vida e na morte é um dos melhores livros que já li.